Cordel de Ismael Gaião

Cordel de Ismael Gaião

OS DITADOS POPULARES EM LITERATURA DE CORDEL

Os Ditados Populares,
Criados na antiguidade,
Fazem parte da cultura
Popular da humanidade,
Fazendo a língua do povo
Ficar para a eternidade.

Eles são filosofias
Passadas na forma oral,
Que servem pra melhorar
O convívio social
E podem favorecer
A vida espiritual.

Não faz chegar o verão
Uma andorinha sozinha.
Cada um só puxa a brasa
Para assar sua sardinha,
Mas não conte com o ovo
No fiofó da galinha.

Já diz um velho ditado:
Tudo que não mata engorda.
E em casa de enforcado,
Ninguém nunca fala em corda,
Pois quem dorme com cachorro
Sempre com pulga se acorda.

Dizem que cavalo velho
Não pega mais andadura
E água mole em dura pedra
Tanto bate até que fura,
Mas também come farelo
Quem com porcos se mistura.

Sabemos que quem vê cara
Não enxerga o coração.
Também sabemos que a prática
É quem faz a perfeição
E que a galinha enche o papo
Comendo de grão em grão.

É bem melhor andar só
Do que mal acompanhado,
Pois tem medo de água fria
Gato que foi escaldado…
E também só come cru
Quem quer comer apressado.

Meia palavra já basta
Para o bom entendedor,
Porque Deus só dá o frio
Conforme o seu cobertor,
E se um dia é da caça,
O outro é do caçador.

Muito maior é o tombo,
Quanto mais alto o coqueiro,
Porque todo caldo entorna
Com mais de um cozinheiro,
Mas o espeto é de pau
Quando a casa é de ferreiro.

Sei que a mãe das invenções
É a tal necessidade.
Também que a melhor política
É a da honestidade.
Porque quem semeia vento,
Sempre colhe tempestade.

Cada um ser é quem sabe
Onde lhe aperta o sapato,
E quem não possui um cão,
Só pode caçar com gato,
Porque quando o gato sai,
Quem faz a festa é o rato.

Papagaio come milho,
Periquito leva a fama.
Depois de ficar famoso
Se pode deitar na cama.
E bonito lhe parece
Para quem o feio ama.

É para o lado mais fraco
Que a corda sempre arrebenta,
Mas sempre vem a bonança
Depois que passa a tormenta.
Pimenta no olho alheio
É refresco e não pimenta.

Nunca coloque os seus bois
Co’o carro andando na frente,
Pois quando os olhos não veem,
Nosso coração não sente.
E aquele que muito jura
Geralmente é quem mais mente.

Só com o olhar do dono
É que todo gado engorda.
E quem dorme com criança
Sabe que molhado acorda,
Pois só com a última gota
É que a xícara transborda.

Sabemos que Deus dá asas
Pra quem não sabe voar.
Sobre o leite derramado
Não adianta chorar.
E é melhor se prevenir
Do que se remediar.

Sei que quem com ferro fere,
Com ferro será ferido.
Que também vale por dois
Um homem que é prevenido,
Mas não se mete a colher
Entre mulher e marido.

Quem tem telhado de vidro
Não joga pedra em vizinhos,
Porque as águas passadas
Já não movem mais moinhos.
E não pode existir rosas
Sem proteção dos espinhos.

Só se coloca a tramela
Depois da casa arrombada,
Pois nunca engole mosquito
Quem tem a boca fechada
E é sempre pela emoção
Que a razão é enganada.

Só conhece um bom amigo
Quem passa necessidade.
A mãe de todos os vícios
É a ociosidade,
E sabemos que é em casa
Que começa a caridade.

Sei que não existe regra
Sem haver uma exceção.
Melhor do que dois voando
É um pássaro na mão.
E ladrão que rouba outro
Tem cem anos de perdão.

Deve-se comer pra viver
E não viver para comer.
Põe sua barba de molho
Quem vê a do outro arder.
E o pior cego é aquele
Que olha, mas não quer ver.

Quem olha a vida dos outros
Da sua vida se esquece.
E toda assombração sabe
Para quem ela aparece,
Pois se a cabeça não pensa
É o corpo que padece.

Oficina do diabo
É uma cabeça vazia.
Na boca de quem não presta,
Quem é bom não tem valia.
E pedra que muito rola
Nela o limo não se cria.

Há muito ouvia dizer:
Se cair, do chão não passa,
Porque sempre existe fogo
Onde aparece fumaça,
E alguns dizem que é bobagem
Se existir pouca desgraça.

Não deve olhar para os dentes,
Quem tem um cavalo dado.
Melhor um pardal na mão
Do que pombo no telhado,
E o risco que corre o pau,
Corre também o machado.

Me dizes com quem tu andas,
Que quem és eu te direi,
Porque em terra de cego
Quem tem um olho é o rei,
Mas não digas de uma água:
Desta, nunca beberei.

Vendo que a farinha é pouca,
Faço meu pirão primeiro,
Pois tudo é fácil se arranja
Quando se possui dinheiro.
Difícil mesmo é achar
Uma agulha num palheiro.

Não use uma vara curta
Para a onça cutucar,
Pois quem mais anda depressa
É quem vai mais devagar,
E cada um tem seu fardo
Pra na vida carregar.

Aprenda todas as regras,
Porém, algumas transgrida…
Pois saiba que a mais gostosa
É a fruta proibida,
E que a melhor das escolas,
Ninguém tem dúvida, é a vida.

Se correr o bicho pega,
Se ficar vai lhe comer.
Eu sei que falar é fácil,
Mas é difícil fazer.
Quando a lei não é cumprida
Ela é só para inglês ver.

Quem não pode com o pote
Na rodilha não segura.
Outro ditado já diz
Que o tempo tudo cura.
E pela dor que ele sente,
Boi sabe a cerca que fura.

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