Entre togas e poesias

Entre togas e poesias

Presenteei o poeta Napoleão Maia Filho – que já foi Juiz Federal, como eu, e hoje é Ministro do Superior Tribunal Justiça – com um exemplar de meu livro “Contos, Crônicas e Cordéis”.

Já há alguns anos não nos encontrávamos, de forma que eu não sabia até que ponto os afazeres em Brasília poderiam estar dificultando sua dedicação às atividades literárias.

De experiência própria, sei quantas madrugadas já passei acordado, convertendo em frases ou versos uma ideia surgida na tarde anterior, no meio de uma audiência. Mas, será que o poeta que chega a Ministro consegue manter essa disposição? Será que, à medida que se sobe de instância, a toga aumenta de peso e sufoca o poeta?

Foram perguntas que fiz a mim mesmo, apenas no dia em que encaminhei o livro, por intermédio de um amigo que temos em comum, e não pensei mais nisso.

Até que, em uma noite de domingo, chegou à minha caixa de emails uma mensagem animadora e surpreendente. Nela, Napoleão me encaminhava uma paráfrase do meu cordel “A Morte e o Lenhador”, inspirado na fábula de La Fontaine, e os seus comentários ao meu livro.

Estavam respondidas as perguntas que me fiz um dia. O poeta Napoleão Maia Filho continua vivo nas instâncias superiores.

Para não deixar dúvida disso, compartilho os seus generosos comentários acerca do meu livro.

SOBRE O LIVRO CONTOS, CRÔNICAS
E CORDÉIS, DO POETA MARCOS MAIRTON

Recebi e lhe agradeço
O livro que me mandou
Que por demais me agradou
E mil obrigados lhe devo.
Um trabalho de alto apreço
O que você produziu
A parte que me atraiu
Mais atenção lhe confesso
Foi a dos Contos e peço
Desculpa por isso, ouviu?

O conto do matemático
Merece ser incluído
Em antologia e relido
E altamente meditado.
Um caso bem exemplado
De como sacrificamos
Ao trabalho nossos anos
Prejudicando a família
Perdidos em nossa ilha
De afazeres e planos.

Mairton informo a você
Que o seu livro é de primeira
Vi nele a flecha certeira
De quem gosta de escrever.
Prá mim (posso lhe dizer)
Eufrásio é o melhor conto
Ali você marca o ponto
Mais alto do seu labor
De um esmerado escritor
De verve estilo e saber.

Eufrásio é muita gente
Muito juiz professor
Funcionário e doutor
Com os filhos negligente.
Lhe digo sinceramente
A história me comoveu
Acho que ela mexeu
Com a minha biografia
Saber disso eu já sabia
Mas que doeu me doeu.

O tempo passa voando
Veloz como um gavião
Um relâmpo ou um trovão
No céu azul rimbombando.
Quando se cuida outro ano
Se foi e nós nem notamos
Caminhamos caminhamos
Como se a vida afinal
Fim não tivesse e eis o mal
Em que todos naufragamos.

Fiz uma leitura atenta
Do seu livro bem trançado
Episódios bem contados
E reflexões de alta empena.
Da sua exímia pena
Brota até filosofia
Como O Tempo a poesia
Desse ardiloso inimigo
Em minutos repartido
E fera que nos espia.

Nosso olho na folhinha
No relógio em nosso braço
Nosso pé preso no laço
Nosso tempo que caminha.
Não chega a moça que vinha
Ao nosso encontro marcado
Cada minuto é um recado
Que o tempo está esgotando
Meu Deus terminou o ano
Um cavalo desembestado.

A nossa voz tá fraquinha
A nossa vista cansada
Nossa força desertada
E aquela Velha Daninha
Nos observa e acarinha
Sua foice longa e curva
E um cordel na mente turva
Surge mais que de repente
É o último certamente …
Ôme que coisa madura!

Parabéns, Poeta Mairton, parabéns! O seu livro é excelente; os temas dos seus poemas são humanos, vívidos e emocionantes e as formas da sua escrita são perfeitas e exímias. Obrigado!

Napoleão Maia Filho

1 Comments

  1. Jarrett

    Sou aluno do LI em Frane7a e gostei muito das suas retssopas. Os meus livros preferidos se3o de Banda Desenhada e histf3rias de avaenturas, como o Tintin e o Gerf3nimo Silton.Ate9 brevePedro SantosCM1 Lyce9e International

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *