Pedido de Casamento Junino

Pedido de Casamento Junino

Em uma festa de São João, casamos de novo. Casamento de quadrilha, abençoado pelos amigos. Só não valia roteiro de noivo que tenta fugir e obrigado a casar pelo pai da noiva.

Não fujo do casamento com Natália nem em festa de quadrilha – disse eu. – Em nosso roteiro, o pai dela pode ser contra, mas nós queremos casar sim!

E assim foi.

Botei um paletó, Natália providenciou um vestido, e nos preparávamos para casar em segredo, quando o pai da noiva, interpretado por nosso querido amigo Roberto Machado, apareceu dizendo que a filha não casaria com um cabra sem futuro.

A saída foi mostrar para ele que meu passado não era dos melhores, mas o futuro prometia. Fiz o pedido de casamento em versos de cordel…

Doutor Roberto Machado,
Preste atenção, por favor,
No que eu tenho a lhe dizer,
No que venho lhe propor.
Espero a sua resposta
Pois a razão da proposta
É a filha do senhor.

A sua filha Natália,
Essa moça tão prendada,
Que, além de muito bonita,
É também muito educada,
Conquistou meu coração,
Me dando a satisfação
De ser minha namorada.

Já faz pra mais de seis mês,
Não sei se o senhor sabia,
Que gente se telefona
E se encontra todo dia.
Ela me manda mensagem
manda video, manda imagem,
E eu devolvo poesia.

E, sendo dessa maneira,
Muito grande o nosso amor,
Mesmo ela sendo a filha
De um desembargador,
Me meti a atrevido,
E faço aqui meu pedido,
Muito sincero ao doutor:

– Eu quero casar com sua filha, doutor Roberto!

Doutor Roberto Machado,
Sei da sua intenção
Que a sua filha se case
Com alguém de posição,
Alguém que seja formado,
Quem sabe, um advogado,
Que tenha um anel na mão!

E, eu não tiro sua razão.
Pois, como pai, está certo.
Não querer que a sua filha
Tenha um futuro incerto.
Mas, em nome do amor,
Eu insisto com o senhor,
Aceite, Doutor Roberto.

Confesso, fui um menino
Que não gostei de estudar,
E, que depois que cresci,
Nunca fui de trabalhar.
Dormia até meio-dia,
E é verdade que vivia
Na rua a vagabundar.

Roubar, eu nunca roubei,
Mas, comprava e não pagava,
Já bebi muita cachaça,
Até maconha eu fumava.
Em festa arranjava briga
E andar com rapariga
Era do que eu mais gostava.

Mas, depois que eu vi Natália,
Senti algo diferente,
Decidi me corrigir
Ser um cidadão decente
E falei para um amigo:
Se ela se casar comigo
Vou mudar daqui pra frente.

Por isso, se o meu pedido
A sua filha aceitar,
E, se o senhor permitir
Que a gente possa casar,
Fique logo prevenido:
Vou ser o melhor marido
Que o senhor ouviu falar.

Fique certo, o que eu digo
Não é conversa fajuta.
E prometo aqui três coisas,
Enquanto esse povo escuta:
Limpar meu nome na praça
Nunca mais beber cachaça
Nunca mais andar com puta!

Pai da noiva: – Cabra safado!

Noivo: – Calma desembargador. Eu andava nesses ambientes. Não ando mais. E sabe que um dia eu tava no cabaré da Pirrita e vi um cabra lá que era mesmo que tá vendo o senhor! Não era o senhor, era?…

Pai da noiva: – Ômi, vamos mudar de assunto e começar logo esse casamento. Se depender da minha autorização, tá autorizado!

MM_NG_Casados_cort

1 Comments

  1. Carlos de Léllis Luna

    Muito interessante esse espaço. Tudo de boa qualidade. O nosso Nordeste é tão rico e tão repleto de manifestações que não podemos deixar de valorar o que é genuinamente nosso. Muito sucesso.

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