Poesia na Universidade

Poesia na Universidade

Em agosto de 1999, comecei a lecionar na Universidade de Fortaleza – UNIFOR. Duas disciplinas bem diferentes, dentro da gama de matérias que se estuda no Curso de Direito: Direito Comercial e Teoria Geral do Estado.

Eu, que tinha atuado por mais de quatro anos como advogado do Banco do Nordeste e Procurador do Banco Central, trazia na bagagem o conhecimento prático do Direito Comercial, mas achava mais divertidos os debates teóricos da Teoria do Estado, matéria que havia estudado recentemente no Mestrado em Direito Público, na Universidade Federal do Ceará.

Assim, marcada a primeira prova do semestre, resolvi fazer uma revisão da matéria com os alunos. Foi aí que vieram os versos que acabaram privilegiando os alunos de Teoria do Estado. Com eles, a aula ficou bem mais divertida. A gente ia declamando cada estrofe e discutindo as dúvidas que surgiam a partir de cada uma delas.

Hoje, remexendo nas gavetas, encontrei-os impressos em um papel já amarelado.

Os versos eram esses:

HOMENAGEM À MINHA PRIMEIRA AULA DE TEORIA GERAL DO ESTADO NA UNIFOR

Fortaleza, 17 de setembro de 1999

Começamos o semestre
Falando de sociedade.
Por que os homens se uniram
Formando a sociedade?
Registra nossa memória
Em que ponto da história
Foi inventada a cidade?

Na Grécia, de tantos sábios,
Aristóteles dizia:
“Homem: animal político”,
E lançava a teoria
Da origem natural
Do organismo social
Que desde sempre existia.

Também na Idade Média,
A tese prevaleceu,
E o grande Tomás de Aquino
Habilmente defendeu
Que, a não ser por acidente,
Só um um gênio ou um demente
Vive afastado dos seus.

Mas, há outra explicação
Para esse mesmo fato:
Pensadores de alto nível,
De saber, bom senso e tato,
Concluíram que as pessoas
Sendo más ou sendo boas,
Uniram-se por contrato.

Surgia, assim, a doutrina
Do Contrato Social,
Com Russeau, Hobbes e Locke
Mostrando o seu cabedal,
Apesar da divergência
Destes homens de ciência
Se o Homem é bom ou mau.

Hobbes dizia que o Homem,
No estado de natureza,
É o lobo do outro homem,
Rouba o que ele tem à mesa.
E, se existe a união,
Não é por bondade, não,
Mas para a própria defesa.

Russeau, contrargumentando,
Diz que o Homem não é mau.
Que prevalece a bondade
No estado natural.
Se depois embruteceu,
Saibam, quem o corrompeu
Foi a vida social.

O fato é que muita gente
Tem pensado sobre o tema.
Não há conclusão final
Para incluir nesse esquema.
Quanto a nós, cabe estudar,
Sem também se estressar
Pra resolver o problema.

 

 

1 Comments

  1. Sírlia Sousa de Lima

    Ilustríssimo poeta

    /
    Admiro os seus versos/ Esse país está corrompido/ Por motivos adversos/ Nossos administradores/ São covardes e perversos.

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