Pé de chumbo, pé de vento
Essa é uma história baseada em fatos da vida real. Memórias de minha infância, sempre recheada de aventuras, no meu querido bairro do Pirambu, em Fortaleza. Memórias de uma noite...
Ele já estava lá, quando ela chegou e postou-se ao seu lado.
Não falou nada, sequer o cumprimentou.
Ele também permaneceu em silêncio. Olhou-a, mas evitou que seus olhares se cruzassem.
Ela pareceu ter feito o mesmo.
Permaneceram assim, lado a lado, mas sem se olharem. Calados.
Tão próximos que um não poderia abrir os braços sem tocar o outro.
E, no entanto, parecia haver uma barreira invisível entre os dois.
Os corpos praticamente imóveis. Os dois pares de olhos fixos em algum ponto imaginário à sua frente.
Ficaram assim ainda por um tempo.
Pouco tempo. Mas o suficiente para que o perfume dela chegasse às narinas dele.
Gostou. Inalou uma vez mais. Lenta e profundamente.
Mas com suavidade. Como temendo deixar transparecer que o cheiro dela o agradava.
Movendo a cabeça o mínimo possível, ele olhou-a uma vez mais. E sentiu-se invadido por uma vontade irresistível de quebrar aquele silêncio.
Romper a barreira que os separava.
Imaginou que uma palavra sua poderia mudar o destino dos dois, a partir daquele instante. Talvez para sempre.
Precisaria apenas dizer a coisa certa. Do jeito certo.
Em sua mente, formulou uma frase. Descartou. Formulou outra. Pareceu-lhe melhor.
Preparava-se para soltar a voz, mas fez-se ali um leve solavanco. A porta à sua frente abriu-se.
E ela saiu, como entrou. Em absoluto silêncio.
Enquanto saía, ela ainda olhou timidamente para trás. E seus olhares finalmente se cruzaram.
Mas, só por um instante.
A porta fechou-se novamente. O elevador voltou a subir.
E os dois nunca mais se encontraram.
Oi, gostaria de encomendar um cordel.
Como faço?
Moro em Fortaleza.
Quero agradecer Sr.Marcos pelas inúmeras risadas que me possibilitou através da leitura de seu livro Contos, Crônicas e Cordéis que ganhei na Comunidade Quatro Varas em uma de minhas visitas a biblioteca. Penso que uma das belezas dos seres humanos é essa de nos guiar pelo riso nas trilhas da vida que está tão difícil de ser encarada no cotidiano, parabéns por seus lindos e oportunos escritos. Grata e feliz 2017.