DICAS PARA ESCREVER UM CORDEL

DICAS PARA ESCREVER UM CORDEL

Semana passada, saiu no Jornal da Besta Fubana, na coluna do poeta Ismael Gaião, essa aula de versejar. Quem quiser conferir o texto original, basta clicar aqui.

SONETEANDO
São diversas as formas de sonetos,
E a ordem em que os versos são rimados,
Porque podem rimar entrelaçados
Ou se alternam formando os dois quartetos.
Quando estamos montando os dois tercetos
Temos versos rimando emparelhados,
Porém, podem rimar sequenciados,
Fabricados conforme os esqueletos.
Quanto aos versos, quatorze é regra antiga;
Quanto à métrica, a mesma lei obriga:
Cada verso co’ a mesma quantidade.
Então, corra buscando a inspiração,
Pra botar emoção na construção
E o poema ficar com qualidade.
QUADRA ENQUADRADA

Quatro versos numa Estrofe
Formam a famosa Quadra,
Havendo mais de uma forma
Nas quais a rima se enquadra.

Rimando o segundo verso
Com o quarto, pra fechar,
O primeiro e o terceiro
Podem ficar sem rimar.

O segundo com terceiro
Pode ser a rima usada,
Rimando quarto e primeiro
Pra quadra ficar montada.

E se desejar, de vez,
Desse assunto ficar farto,
Rime verso um com três,
Depois segundo com quarto.

Sete sílabas se usam em cada verso,
Para o mesmo ficar metrificado,
Mas podemos também versar com dez
Sem deixá-lo ficar de pé quebrado.

SEXTILHAS SEM PÉ QUEBRADO

Para uma estrofe em sextilha
Ficar bem metrificada,
Basta colocar seis versos,
Com sete sílabas em cada,
E observar suas rimas
Para vê-la bem formada.

Ela pode ser armada
Sem perder o seu contexto,
Porque tem a oração
Pra dar beleza a seu texto,
Com versos mantendo a rima
No segundo, quarto e sexto.

Sendo assim não há pretexto
Pra se fazer verso errado,
Basta treinar um pouquinho
Pra ficar acostumado
E deixar os seus poemas
Sem verso de “pé quebrado”.

Pra ficar mais arrumado,
Seguindo as normas acima,
Podemos usar a “deixa”,
Feita na última rima,
Pra fazer do seu poema
Tentativa de obra-prima.

 

A ESTROFE EM SEPTILHA

A estrofe em septilha,
Feita com sabedoria,
Tem a sequência de rimas
Que parece melodia.
Seguindo bem seu traçado,
Quem for poeta inspirado,
Dará brilho à poesia.

Quando a estrofe se cria
Se obedece à condição:
Sete sílabas por verso
Para metrificação.
E, pra ficar bem formada,
Ela deve ser montada
Com a seguinte armação:

Suas rimas seguirão,
Tendo seus versos postados
Com segundo, quarto e sétimo
Rimando e metrificados,
E, pra fechar bem o texto,
Rimando quinto com sexto,
Ficarão bem enquadrados.

Pra ver seus versos fechados
E dispostos com destreza,
Coloque a “regra da deixa”
Que lhe dará mais beleza.
E assim, para terminar,
Você vai poetizar
Com emoção e firmeza.

 

NOS OITO PÉS A QUADRÃO

O cordel tem qualidades
Em suas modalidades
Para as criatividades
De quem tem inspiração.
Agora nós vamos ver
Como se deve fazer
Quando se quer escrever
Nos oito pés a quadrão.

Esse estilo é coisa rica!
Nele, a gente metrifica,
Verseja e não se complica,
Se prestar bem atenção.
É uma forma gostosa,
Onde o poeta se entrosa,
Com oito versos por glosa,
Nos oito pés a quadrão.

O poeta cordelista,
Igualmente ao repentista,
Não deve perder de vista
Como é feita a armação.
Se fizeres oito linhas
Como tenho feito as minhas
Saberás como caminhas
Nos oito pés a quadrão.

Faço sem ficar disperso
Sete sílabas por verso
Porque em todo universo
É seguido esse padrão.
E pra não sair do trilho
O poema tem mais brilho
Findando com o estribilho:
Nos oito pés a quadrão.

Pra fazer a obra prima
O terceiro verso rima
Igualmente aos dois de cima
Com muita imaginação.
Mergulhado no contexto
Rimo os versos quinto e sexto
E o sétimo segue o pretexto
Dos oito pés a quadrão.

Pra estrofe terminar
É preciso observar
Que ainda faltam rimar
Dois versos da construção.
Rimando quarto e oitavo
O poema eu alinhavo
Como a abelha faz o favo
Nos oito pés a quadrão.

 

A DÉCIMA METRIFICADA

Uma décima pra ser feita
Também tem uma armação,
Onde os versos seguirão
Mantendo a rima perfeita.
Cada verso se sujeita
A uma dada sequência,
E quem faz com paciência
Logo, logo se aprimora,
Aprende e faz sem demora
A décima com competência.

O primeiro verso rima
Com o quarto e com o quinto,
Porém de um jeito sucinto,
Para não perder o clima.
Fechando a parte de cima,
Rimam segundo e terceiro.
Já o oitavo, bem matreiro,
Ao nono vai se encaixar
E, depois, é só rimar
Sexto, sétimo e derradeiro.

Rime verso um com três.
E verso dois com o quatro
Depois rime cinco e seis
Pra dar show no seu “teatro”.
Se quer ficar bem nos “pés”,
Rime o sete com o dez
Pra que todo mundo aprove…
E assim, para completar,
Só falta você rimar
Verso oito com o nove.

 

UM DECASSÍLABO BEM FEITO

Pra fazer decassílabo bem feito
É preciso dez sílabas por linha,
Pois se não for assim ele definha
E a estrofe termina com defeito.
Pra seu ritmo ficar quase perfeito,
Deixe a nota marcada na terceira.
E depois, pra seguir nessa carreira,
Marque a sexta com outra nota forte.
Pra fechar sua estrofe nesse norte,
Ponha força também na derradeira.

 

GALOPE EXPLICADO

Fazer um galope não é complicado,
Apenas precisa ter muita atenção,
Porque tem o ritmo que dá condução
Pra cada um dos versos ficar bem montado.
Segunda é a sílaba em que o tom é marcado,
Depois vem a quinta também a soar;
Seguindo, a oitava não pode falhar
Pra décima primeira fechar o poema,
Porque nesse barco é assim que se rema,
Nos dez de galope da beira do mar.

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