Pé de chumbo, pé de vento
Essa é uma história baseada em fatos da vida real. Memórias de minha infância, sempre recheada de aventuras, no meu querido bairro do Pirambu, em Fortaleza. Memórias de uma noite...
No dia 1º de julho deste ano faleceu Orlando Tejo, levando consigo o mistério sobre Zé Limeira, o poeta do absurdo.
Nunca ficou claro se Zé Limeira existiu realmente, ou se foi uma criação de Orlando Tejo.
O que isso importa agora? Se Zé Limeira existiu fisicamente ou não, o que interessa é que sua obra está imortalizada nas páginas dos livros, assim como a obra de Orlando Tejo.
Saiba mais sobre Orlando Tejo no site Paraíba Criativa, clicando aqui.
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Disse Zé Limeira:
Um dia o Rei Salamão
Dormiu de noite e de dia.
Convidou Napoleão
Pra cantá pilogamia.
Viva a Princesa Isabé,
Que já morô em Supé
No tempo da monarquia.
(Do livro “Zé Limeira, poeta do absurdo”, de Orlando Tejo, 1935-2018)
Digo eu:
Dom João VI pretendia
Conhecer a Amazônia,
Mas Dom Tiradentes teve
Um problema de insônia.
Enquanto Pedro II
Gritava pra todo mundo:
Viva o Rei da Macedônia!
Um dia fui à Polônia,
Só pra ver a Torre Eiffel.
E encontrei Napoleão
Brincando num carrossel.
Fernando Pessoa ria,
Na mesma hora que lia
Um folheto de Cordel.
Certa vez, Dom Manoel
Que pensava que era rei,
Amarrou quatro jumentos
Em frente à casa de um frei.
O povo se revoltou,
E, como a briga acabou,
Eu até hoje não sei.
Esse versos que criei,
São somente uma maneira
De aplaudir Orlando Tejo,
Que nos legou Zé Limeira.
Tendo talento de sobra,
Foi-se o homem, fica a obra,
Pela eternidade inteira.