Um Cordel jurídico escrito há mais de 20 anos!

Um Cordel jurídico escrito há mais de 20 anos!

Nos idos de 1997, tive a honra de exercer a advocacia na Superintendência Jurídica do Banco do Nordeste do Brasil.

Ali adquiri conhecimentos que utilizo até hoje em minhas atividades jurisdicionais. Também fiz grande amizades, que permanecem vivas até os dias atuais.

Um dos colegas com quem trabalhei, o advogado Isael Bernardo de Oliveira, tinha (e certamente ainda tem) habilidade para fazer versos de cordel, acontecendo muitas vezes de criarmos juntos várias estrofes jurídicas, quase de improviso, enquanto estávamos trabalhando.

Semana passada fui surpreendido, quando chegaram às minhas mãos versos que havíamos criado em uma daquelas ocasiões. 

O portador da feliz lembrança foi o amigo-irmão Zico, também advogado do Banco do Nordeste, e que por mais de dez anos foi meu braço direito, trabalhando como diretor de secretaria na Justiça Federal.

Os versos recuperados daqueles tempos remotos são os seguintes:

Querido amigo Isael,

Antes de tudo, bom dia.

Vou lhe fazer um convite,

Com amizade e alegria:

Para estudarmos Direito,

Fazendo verso perfeito,

Direito com Poesia!


O convite do amigo

A mim muito satisfaz;

O Direito me afeiçoa,

Poesia me dá paz.

Se o Direito é sacerdócio,

Dele já me sinto sócio,

Da poesia ainda mais!


Então, vamos ao trabalho!

Comecemos neste instante!

Escolhendo logo o tema,

Algum assunto importante.

Pela nossa formação,

Nossa Constituição

Parece um tema vibrante!


Nessa tema escolhido,

Nossa Constituição,

É como um leito sagrado

Dos direitos do cidadão.

Todos eles essenciais,

As garantias constitucionais

Me chamam mais a atenção.


De fato, em tempos remotos,

Norma assim não existia.

As leis que o rei aplicava,

Ele mesmo é que as fazia.

E o povo, sempre sofrido,

Espoliado e oprimido,

Não tinha essa garantia.


Esse poder do monarca

A um tal ponto cresceu,

Que um tal de Luiz XIV,

Que lá na França viveu,

Gostava de se gabar,

E vivia a proclamar:

“O Estado aqui sou eu!”.


Essa frase do monarca

Revela absolutismo,

Que deve ser combatido

Assim como o nepotismo.

Muito próprio das nações

Cujas Constituições

Contêm autoritarismo.


O tal autoritarismo

Se opõe à democracia,

Que a nossa Constituição

No preâmbulo evidencia,

Lembrando sempre que o lema

Que escolhemos como tema

É Direito com Poesia!


Não esqueço, meu amigo,

Pois tenho boa memória;

Porém a Constituição

Também tem a sua história.

Foi contra o absolutismo

Que o constitucionalismo

Conquistou sua vitória!


E essa conquista importante

Chegou até nossos dias;

No encarte desenhado

Das boas democracias,

Dando luz e proteção

Ao país e ao cidadão,

Com as suas garantias.


Por isso é que a Carta Magna

Vigente aqui, hoje em dia,

Impõe como fundamentos

Da nossa democracia

A forma republicana,

Com dignidade humana,

Trabalho e cidadania.


Direito com Poesia,

De uma forma natural,

Para o Homem que trabalha

Na zona urbana ou rural.

Parabéns ao cidadão

Que tem a Constituição

Por patrimônio nacional!

(*) Por Marcos Mairton.

(**) Imagem ilustrativa obtida em
http://revistadireito.com/cordel-juridico-titulos-de-credito/

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