Pé de chumbo, pé de vento
Essa é uma história baseada em fatos da vida real. Memórias de minha infância, sempre recheada de aventuras, no meu querido bairro do Pirambu, em Fortaleza. Memórias de uma noite...
Chega às minhas mãos o livro “Sétimas Sentimentais Sertanejas”, de Arlene Holanda, editado pela Conhecimento Editora.
Como de costume nas edições de Flávio Martins e Julie Ane Oliveira, o acabamento é impecável.
E os versos de Arlene merecem um tratamento assim. Só pra dar uma ideia, vejamos como ela fala da gastronomia sertaneja, em algumas estrofes de
O DE COMER
Paçoca de carne seca
Socada à mão de pilão
Corredor, osso, tutano
Carne gorda com pirão
Quebra-queixo, bom-bocado
Rapadura e mel coado
Pra adoçar o feijão.
Tábua de queijos curtidos
Respingando de gordura
Gado solteiro no pasto
A invernada, a fartura
O povo ao santo bendiz
Coisa de fazer feliz
Qualquer uma criatura.
Mugunzá feito de milho
Já livre de toda palha
Espiga verde cozida
Ou bem assada em fornalha
Pamonha, bolo de milho
Canjica doce, polvilho
Que um anjo do céu me valha!
E ao final de cada poema ainda tem um glossário, explicando o linguajar sertanejo aos que nele são iniciantes.
Por exemplo, das estrofes acima, tem as seguintes palavras:
Corredor – osso do boi utilizado para cozido.
Mungunzá – comida típica de origem africana feita do milho.
Quebra-queixo – doce de consistência viscosa, preparado com coco, rapadura e limão.
Tutano – cartilagem existente no interior dos ossos. Costuma-se bater o osso para que libere o tutano, iguaria muito apreciada na culinária sertaneja.
Parabéns, Arlene! Parabéns a todos da Conhecimento pelo belo trabalho!